| Reações psíquicas do paciente diante da enfermidade terminal | ||||||||||||
|
Autoria de Imaculada de la Serna de Pedro [1] Tradução de Marilita Lúcia de Castro Embora a forma de reagir diante de um acontecimento tão potencialmente devastador seja variável, pode-se considerar, de modo esquemático, que o paciente passará pelas fases tão bem estudadas e descritas por Elizabeth Kubler Ross. Nem todas as pessoas vivenciam todos os estádios, ou seguem a mesma ordem e, ainda, uma fase pode coincidir com a outra. Entretanto, o conhecimento das mesmas é útil para compreender as reações destes enfermos diante da agonia da morte, para ter uma resposta adequada a estas condutas que, às vezes, desconcertam familiares e profissionais e para poder lhes prestar uma ajuda adequada. A maneira de reagir vai ser influenciada pela idade, classe social, cultura, crenças religiosas, rapidez de instalação do processo mórbido e pela personalidade do paciente. Estas fases são:
O problema das reações adaptativas ou de mal adaptação nos pacientes terminais pode ser enfocado segundo três pontos de vista: o do paciente, o da família e o do médico. Em relação ao paciente encontramos as seguintes manifestações psíquicas: Distúrbio de Mal Adaptação Denomina-se assim ao desenvolvimento de sintomas emocionais ou comportamentais como resposta a um agente estressante psicossocial identificável. Pode apresentar-se na forma de um distúrbio de conduta, um quadro depressivo, de ansiedade ou misto, onde estão presentes: depressão com ansiedade; alterações emocionais e de comportamento. Segundo sua duração pode ser: agudo, se persiste por menos de seis meses; crônico se dura mais tempo. A personalidade prévia ou pregressa é muito importante e pauta a maneira como o doente reage à morte. As pessoas narcisistas, inseguras, autoritárias e com baixa tolerância às frustrações são mais inclinadas às reações de mal adaptação. O fato de o paciente ser crente ou ateu, ou não possa expressar seus temores, dúvidas e preocupações repercutem negativamente. Victor Frankl, psiquiatra e psicólogo existencial, diz parafraseando Freud: “Se queres suportar a vida, prepara-te para a morte” [2] . E acrescenta: “Que a vida só tem sentido por sermos mortais”. Ansiedade diante da morte Aparece, sobretudo nos adultos. É formada por vários componentes como:
A ansiedade diante da morte é uma das formas básicas de ansiedade, seus componentes são: ansiedade de separação, de perda e de mudança. Não aumenta com a idade como se poderia pensar. Por outro lado, existe um medo irracional e neurótico diante da morte que, geralmente não acompanha as situações de morte ou de ameaça real. Outras vezes, há uma atitude de não querer dar-se conta diante de situações evidentes de perigo. Isso não é raro entre os profissionais da saúde. Algumas vezes são os que têm maior nível cultural ou socioeconômico que apresentam as piores reações. Alguns autores relacionam esta ansiedade com o sentimento de aniquilação do ego e com o medo de ver-se diluído no “nada”. A espécie humana é a única que sabe que vai morrer. Disso deriva a ansiedade e expectativa diante da morte e os temores que a acompanham. Medidas psicoterapeuticas de conforto e apoio servem de ajuda. Podem ser úteis técnicas de relaxamento e deve ser o próprio médico que atende o paciente o responsável por este apoio. Não é adequado encaminhar o paciente a um psiquiatra ou psicólogo embora se possa pedir orientação a estes profissionais. Alterações psicóticas Nos moribundos podem aparecer sintomas psicóticos nos dias que antecedem a morte, como uma forma de psicose exógena. São inespecíficas desde o ponto de vista sintomatológico e etiológico e não se encontra uma correlação clínica entre estas e a doença de base. Estas reações podem ocorrer por uma conjunção entre fatores orgânicos e psicológicos: o próprio processo da morte, a doença somática e os tratamentos que estão sendo administrados. Às vezes, quando isso ocorre tende-se a transferir o paciente para o psiquiatra, não é o mais correto embora este possa colaborar com um parecer. Foram descritos:
Tais quadros devem ser tratados com muita prudência, pois o paciente terminal tem pouca tolerância aos psicotrópicos. Delirium: são estados confuso-oníricos com alterações da orientação (temporo-espacial, auto e alo-psiquica) e da consciência; agitação, atividade onírica rica ou delirante, de conteúdo mais ou menos fúnebre. Esses sintomas costumam piorar ao cair da noite e comprometer as funções cognitivas (memória, percepção, orientação, linguagem, etc) O tratamento deve ser instituído principalmente nos casos de agitação psicomotora, procurando-se usar drogas com menos efeitos anticolinérgicos e com doses baixas. Medidas de ajuda podem ser: manter o aposento tranqüilo e silencioso, deixar uma pequena lâmpada acesa durante a noite; manter um parente a seu lado; exibir uma atitude serena e confortante; procurar orienta-lo indicando a data, o dia da semana, seu nome, o lugar onde está, fotos de familiares, etc. Deve-se vigiar para que o paciente não caia e não sofra lesões. Depressão: pode aparecer na 4ª fase da agonia ou em outros momentos da evolução. Os pacientes já não querem seguir vivendo. Além dos fatores psicológicos que são compreensíveis pode ser causada por fatores orgânicos da doença de base, pela medicação aplicada e pelo lugar (UTI, Hospitais precários) em que se encontra. Deve-se tentar tirar o paciente deste quadro porque sua melhora repercutirá em seu estado geral. Alguns pacientes com câncer que recebiam psicoterapia, além da quimioterapia viveram mais tempo que os que apenas faziam a quimioterapia. Os sentimentos afetam o sistema imunológico de forma grave deprimindo os linfócitos T. Comportamento suicida: o suicídio é uma manifestação que pode aparecer em qualquer quadro psíquico. Sabe-se que 90-95% dos suicidas apresentam quadros de depressão, alcoolismo, esquizofrenia ou crises de pânico. No paciente terminal essa conduta é causada pela depressão ou de forma fria e racional devida ao sentimento de incapacitação. O risco é maior:
É difícil estabelecer uma estatística para os casos de suicídio em enfermidades graves. Muitos ficam ocultos, seja porque os familiares vêem essa conduta como vergonhosa, seja porque se trata de um suicídio passivo (a pessoa se nega a comer e a realizar o tratamento). Entretanto, não são tão freqüentes como seria de se esperar. Relacionado ao suicídio está a controvérsia sobre o momento de desligar os aparelhos para os pacientes que deixam de responder aos estímulos; o direito a morrer, a morrer com dignidade, a decisão final, o suicídio racional e a eutanásia. Existe o chamado “testamento de vida” dirigido ao médico, hospital, família, advogado, padre, onde se indica que si não há lugar para esperanças razoáveis de recuperação física e/ ou mental pede-se para deixa-lo morrer; faz-se isso por temor a indignidade e a deterioração, a dependência e ao sofrimento inútil. Bibliografía
|
|||||||||||
| ^ | ^ | |||||||||||